Obra limpa e conservada: conheça as estratégias para uma construção organizada
- Equipe Contramarco
- 14 de mar.
- 5 min de leitura
Com experiência na gestão de obras, o arquiteto Bruno Moraes traz orientações para evitar sujeira e prejuízos durante construções e reformas em geral, melhorando práticas para a proteção e organização dos insumos

Quem escuta a palavra “obra” logo associa com barulho, sujeira, bagunça e perda de materiais, grandes sinônimos de desperdício e alto custo. Mas, quando utilizamos os processos adequados, é possível realizar construções e reformas de forma organizada e sem as famosas e recorrentes dores de cabeça. Com 15 anos de experiência em gerenciamento de obras, o arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, explica como conseguir esses resultados a partir de um planejamento pautado em ações que resultarão em uma obra com um novo panorama.
Planejamento
Para que tudo fique organizado, é necessário contar com um planejamento para cada etapa. Atualmente, o universo das obras conta com ferramentas digitais que facilitam o gerenciamento de cronogramas e a comunicação entre a equipe, como os aplicativos de gestão de obras que ajudam a monitorar cada etapa do processo, garantindo que todas as atividades sejam executadas no prazo e com a qualidade esperada.
“Aqui no escritório, nós utilizamos um aplicativo específico que se comunica tanto com a equipe quanto com os nossos clientes. Mas para quem deseja realizar a obra de forma solo um simples aplicativo, com o Trello, já pode ajudar no cronograma de uma obra bem-sucedida”, relata o arquiteto.
Bruno Moraes também destaca a importância de incluir no cronograma um tempo dedicado à limpeza e organização diária. “Nas obras que gerenciamos, mantemos a prática de encerrar o expediente 15 minutos antes para que a equipe possa realizar a varrição, conferir as proteções e guardar ferramentas. Além disso, utilizamos checklists digitais para garantir que nada seja esquecido”.

Com o que ter cuidado?
Em todas as etapas, é necessário ficar atento a tudo que cerca o local e identificar quais materiais podem, porventura, serem danificados durante o período da obra, como o caso de itens mais delicados como vidros, pisos, revestimentos, tampos e móveis, entre outros.
De acordo com Bruno, materiais de proteção como papelão liso ou corrugado - em diferentes gramaturas, plástico bolha ou normal, lonas - com diferentes espessuras, mantas impermeabilizantes ou emborrachadas nunca são gastos supérfluos, pois às vezes, o barato pode sair muito caro. Materiais de proteção reutilizáveis e biodegradáveis estão ganhando espaço no mercado, como lonas de PVC reciclado e mantas feitas de materiais sustentáveis.

“Ao deixar de proteger móveis ou o piso, um arranhão pode ser muito mais oneroso para reparar ao investir em proteção. Sem contar os aborrecimentos por causa dos sanos e desgastes não previstos”, avalia.
Cada material, uma proteção diferente
Bruno Moraes explica que, com o avanço dos materiais, hoje temos opções mais eficientes e adaptadas a cada tipo de superfície:
· Lona de plástico: protege contra poeira, tintas e riscos superficiais. O arquiteto indica instalar lonas fixas no teto e pisos, formando uma cortina fixa, para não entrar pó em outros ambientes do imóvel;
· Papelão ondulado: recomendado contra poeira, riscos e impactos diversos. Porém, com muita umidade ele pode dissolver e até manchar aquilo que está em sua proteção. Portanto, será preciso trocar com frequência;
· Mantas emborrachadas: asseguram proteção contra poeira, riscos e são muito resistentes contra impactos. São ótimas opções, mas têm um custo um pouco mais elevado. Segundo o profissional, vale a pena pela segurança;
· Manta de polietileno ou madeirites: são ótimos para proteção contra impactos durante a execução da obra;
· Manta impermeabilizante: ideais para proteger da umidade;
· ‘Salva Pisos’: trata-se de uma espécie de papel bolha mais rígido, fixado a um papel Kraft laminado bem resistente, propiciando proteção contra impactos, poeira, riscos e líquidos, como respingos de tinta;
· O filme azul de proteção: Uso muito para envelopar bancadas, cubas e os metais da obra. Ele tem um adesivo no filme que facilita muito a instalação e protege contra riscos superficiais.
O arquiteto à frente do BMW Studio afirma a preferência do escritório por uma combinação de materiais capazes de resistir tanto aos impactos, como também à umidade ou aos desgastes, como no caso da circulação dos profissionais. “Por isso é tão importante reunir vários tipos de proteção na obra. Não adianta apenas cobrir uma bancada de pedra ou piso com uma lona preta, por ela salvaguardar apenas a incidência de sujeiras e umidade. Todavia, caso ocorra a queda de algum objeto pesado, não haverá nenhuma proteção contra impacto”, avisa.
Cuidado com intempéries

Em obras de instalação do piso da varanda é necessário fechar o ambiente com uma manta de proteção até o teto ou tapumar, quando permitido, como meio de proteção do local contra a poeira, ventos e chuva, quando está sem o fechamento de vidro | Obra BMA Studio | Foto: Divulgação
Com as mudanças climáticas em alta, as obras estão cada vez mais sujeitas a intempéries. Bruno Moraes recomenda o uso de tapumes, que além de proteger contra chuva e vento, ajudam a controlar a temperatura interna do ambiente. “Em obras externas, como fachadas, esses tapumes são essenciais para garantir a segurança e a qualidade do trabalho”, afirma. Além disso, o uso de mantas térmicas para proteção de áreas expostas tem se tornado uma prática comum, especialmente em regiões com clima mais externo.
Descarte correto

Por fim, é preciso pensar na gestão de descarte de resíduos em qualquer obra, tanto para cumprir as normas ambientais quanto para reduzir o impacto no meio ambiente. Bruno enfatiza a importância de adotar práticas sustentáveis desde o início da obra. “Hoje, a gestão de resíduos não é apenas uma obrigação legal, mas também uma responsabilidade social. Separar os materiais recicláveis dos não recicláveis e descartá-los corretamente é lei e comprova o comprometimento da empresa com a responsabilidade socioambiental”, afirma. Algumas práticas recomendadas para a gestão de resíduos incluem:
• Segmentar os resíduos: separar os materiais em categorias como madeira, metal, plástico, gesso e entulho facilita a reciclagem e o descarte adequado;
• Uso de caçambas: para resíduos sólidos, como entulho, é importante utilizar caçambas licenciadas e seguir as normas municipais para o descarte;
• Parceiros de reciclagem: muitos materiais, como metais e plásticos, podem ser reaproveitados em parcerias com cooperativas que ajudam a garantir que esses materiais tenham um destino correto.
Bruno também destaca a importância de utilizar tecnologias de rastreamento de resíduos, que permitem monitorar o destino final dos materiais descartados, garantindo que eles sejam tratados de forma ambientalmente correta. “Outra alternativa é contratar empresas de confiança especializadas nesse tipo de gestão, pois assim ficamos seguros quanto ao descarte correto dos insumos com profissionais capacitados”, finaliza.
Fonte: Emilie Guimarães | Glaucia Ferreira | Danilo Costa - dc33 Comunicação
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