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NORMA DE DESEMPENHO PARA EDIFÍCIOS NÃO RESIDENCIAIS

*Por Fernando Simon Westphal, consultor técnico da Abividro, engenheiro civil, professor e pesquisador no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sócio da ENE Consultores e palestrante em eventos do setor


Edifício com fachada envidraçada azul
Edifício Augusta Jardins, em São Paulo, utilizando vidros de alto desempenho na fachada, o empreendimento segue os padrões da norma ASHRAE Standard 90.1 e certificação LEED Gold/Divulgação

No dia 2 de agosto de 2024 tivemos a primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT) formado para o desenvolvimento de uma norma de desempenho térmico para edificações não residenciais. Nos mesmos moldes da seção de análise térmica da NBR 15575, a norma de desempenho para habitações, a intenção é estabelecer critérios mínimos para o desempenho térmico de edifícios comerciais e de serviços. O GT está inserido no CB 02, construção civil, na Comissão de Estudo de Eficiência Energética e Desempenho Térmico nas Edificações (CE-002:135.007).


Nessa primeira reunião foi apresentado um rascunho para que o grupo tivesse um modelo para iniciar as discussões. Esse texto trazia a proposta de avaliação das edificações por três métodos: prescritivo, simplificado e simulação. Para demonstrar atendimento à norma, o projeto da edificação poderia ser avaliado em qualquer um dos métodos. O procedimento seria semelhante ao adotado na NBR 15575, que permite a análise por especificações simplificadas ou por simulação. 


Entretanto, após longas discussões, o grupo reconheceu que existe um longo trabalho pela frente. Não está descartada a possibilidade de três formas de avaliação. Mas o setor vidreiro defende que o método prescritivo seja robusto e abrangente e que possa ser adotado em qualquer tipo de edificação não residencial.


A proposta inicial de texto apresentado ao grupo trazia limitações severas quanto ao uso de vidro nas edificações não residenciais. Os edifícios de escritórios estariam limitados a ter no máximo 41% de área de janelas em suas fachadas. Enquanto hotéis poderiam chegar a 34%, lojas poderiam ter 60% de vidro na fachada principal e apenas 5% nas demais fachadas. Demais edificações estariam limitadas a 45% de área de janela nas fachadas. 


Representantes do setor vidreiro presentes na reunião defenderam a necessidade de relacionar os limites de área de janela por tipo de vidro, clima e orientação solar. Tais condições não estavam presentes nessa proposta original, o que causou um certo espanto, pois são premissas básicas para a definição de critérios de desempenho térmico relacionados à área de janelas nas edificações. 


O grupo entende que as edificações são diversificadas em suas tipologias, usos e condições climáticas em que estão inseridas. Estabelecer critérios prescritivos para se alcançar um desempenho térmico mínimo e satisfatório é mesmo um desafio técnico enorme para um país com as diferenças climáticas e culturais como o Brasil. Entretanto, trabalho semelhante já foi desenvolvido há 45 anos nos Estados Unidos, quando estabeleceram a norma de eficiência energética mínima de edificações, a ASHRAE Standard 90.1. Essa norma vem passando por atualizações e revisões a cada três anos, servindo de base na certificação LEED e de inspiração para o desenvolvimento do método de etiquetagem de edificações do Procel. A Standard 90.1 traz limites máximos de área de janela, fator solar e transmitância térmica dos vidros de fachadas e coberturas para cada zona climática norte-americana, podendo ser estendida a qualquer clima no mundo, a partir de cálculos específicos. Um método alternativo por simulação computacional é permitido para projetos que ultrapassam os limites máximos estabelecidos nas prescrições da norma. 


Nos mesmos moldes de exigência, o código de obras da Índia, país mais populoso do mundo e sétimo em área territorial (com mais de 1,4 bilhões de pessoas), traz limites de área de janela por orientação solar e zona climática. O país foi dividido de forma prática em cinco grandes zonas climáticas: região fria, moderada, quente e úmida, quente e seca, e composta. Algo semelhante poderia ser feito aqui no Brasil, simplificando a classificação climática e as exigências por região. Até porque não existe tanta variação construtiva a ser adaptada para cada canto do país. De modo geral, podemos dizer que em relação aos vidros, o Brasil tem três grandes regiões: quente, intermediária e fria. Vidros de baixo fator solar são necessários em todas elas e o uso de vidro insulado poderia ser uma exigência nas regiões quente e fria, podendo ser opcional na região intermediária. 


Evidentemente, esta seria uma classificação grosseira e conservadora. Casos específicos poderiam ser avaliados por simulação computacional, permitindo maior liberdade para o projeto. Existe um longo caminho de estudos e testes até se chegar a um consenso na norma. 


Interessados em participar das reuniões do GT podem fazer sua inscrição na Comissão de Estudos CE-002:135.007 no link da ABNT: www.abntonline.com.br/normalizacao 


*Os artigos publicados com assinatura são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não interpretar a opinião da revista. A publicação tem o objetivo de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do mercado, com foco na evolução da indústria de esquadrias e vidro.


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